sábado, 9 de fevereiro de 2013

Vertigem

Vagueia em meu peito uma saudade, e creio que ela não pertença a você. Com ela, cabisbaixo e pensativo, minha inquietude diante de uma pergunta que eu nunca fiz e da resposta que, como tal, não ousei ouvir. No peito há também um encanto que por vezes me tira sorrisos em meio aos prantos. Agridoce contradição de um coração.

Ah, mas o que mais pode ser, se você surge com seu sorriso doce, sua alegria e carisma cativantes, sua sensibilidade humilde, com suas histórias do passado e com seus sonhos empolgados e empolgantes? Você me ganhou, não pretendo negar. E lá me vem você com sua distração, com seus sumiços e ocupações. E você docemente admite ao pedir desculpas: "desatenção". "Tudo bem", digo eu, até então. Ah, o charme de um desatento e sua facilidade de chamar a atenção! O charme e a vaidade de atrair olhares interessados e interessantes. Infelizmente pra mim, eu sinto que perco você, com a mesma facilidade com que você me ganha.

E eu te vejo, meu caro, ao claro, e desde o primeiro dia em que te vi logo disse. "Quero te ver de novo." As palavras não saberiam expressar o que foi que eu vi, mas com elas posso dizer que sei bem que meus melhores sonhos não ousaram alcançar o que meu olhar achou em você. Se os sonhos não alcançaram, a realidade então se ocupou de me contar ao pé do ouvido: Eis o que procurava! Acontece que a realidade me apresentou você do mesmo modo que me apresentou o mar, e a olho nu me surpreendi e me admirei com sua incrível beleza: tão natural e simples, e como tal, grandiosa. Porém, quando me aproximei aos detalhes, me deparei com as ondas, que surgem intrigantes e interessantes, mas com a promessa triste do fim de sempre se quebrarem na praia.

É por isso que, embora não devesse e nem quisesse, acabo por pressentir que não vamos muito mais longe do que isso. Sonho, e com ele meu peito infla, mas logo se esvazia quando nos detalhes você parece indicar que não vamos atravessar as ondas e chegar ao mar aberto. E eu queria que você soubesse: é isso o que mais me dói. É pensar que em seu caminho eu provavelmente não faça diferença, e que então, dois passos a frente, ou menos, alguém, merecidamente ótimo, ocupará o meu lugar. Mas e o seu lugar?

Vou lhe dizer que do que tenho saudades é de quando eu entrava no mar, sem medo, sem me preocupar. As ondas? Eu pulava todas, e isso me divertia, até um dia me afogar. Até então, quando eu pensava em alguém era deste alguém que eu sentia saudades. Hoje pensei em você mas senti saudades de mim.

Portanto, me intriga o fato de que o que me dói não é a previsão de te perder, mas é o sentimento de que ao te perder, vou perder a mim. Não é o fato de que estou perdendo as esperanças em você ou em um futuro "nós", mas é que estou perdendo as esperanças nas minhas próprias esperas. O medo de ficar sem você e te ver bem sem minha presença me assombra, mas, insuportável é a minha inevitável solidão. Minha saudade parece egoísta, pensando assim, mas o fato é que quando você parte, de alguma forma, algo de mim se parte e te acompanha. A saudade não é de você, é de mim mesmo, mas é por querer tanto estar com você, que por vezes ousa até me arrancar de mim mesmo para te seguir. E o pior é que você nem fica sabendo, e nem poderia. Eis o meu lugar.

É que quando você está, eu sou, inteiro. Quando não, o que fica de mim é esse cabisbaixo e pensativo, na areia e em meio ao receio e vontade de perguntar: "Posso entrar, meu mar?"