(...) E sente falta das noites não dormidas, daquela
conversa duradoura sobre suas próprias histórias de vida.
Sente falta dos carinhos desmedidos sob e sobre as cobertas
e da respiração forte do sono profundo do outro.
Sente falta daqueles abraços, daquelas trocas de socos,
daquelas pegadas de mão e das preocupações noturnas de saber um do outro se
passava frio ou não.
Sente falta das imperfeições do corpo do outro, da alma do outro; do cabelo bagunçado ao acordar, da vergonha do cheiro da boca ao amanhecer.
Sente falta das imperfeições do corpo do outro, da alma do outro; do cabelo bagunçado ao acordar, da vergonha do cheiro da boca ao amanhecer.
Sente falta da imaginação desejosa de um futuro juntos.
Sente falta de atravessar assim a noite em claro para que não deixasse
escurecer o lugar do agora.
Sente falta de pensar que sentiria falta. Sente falta das noites
em que sentia sem pensar.
Sente falta das noites não dormidas, aquelas em que podia
sonhar.