Passava boa parte de seu tempo pensando em formas de encontrar respostas para suas inquietantes dúvidas. Tinha ideias mirabolantes, raciocínios lógicos e teorias interessantíssimas sobre como, onde, quando e porquê tudo acontecia. Embora procurasse, não precisava de respostas, pois já as tinha sempre prontas para oferecer a si e aos demais no momento que achava que cabia.
Nesta busca ia de encontro a tantas aventuras quanto possível. Queria experimentar, encontrar meios de se aprofundar cada vez mais nas coisas para compreender finalmente o sentido do que via. Tinha uma caixa de experiências, uma mala de respostas e uma vida vazia.
Dia desses se deitou na grama do quintal a observar o céu estrelado. Entre um fluxo e outro de pensamentos se deparou com a lua e perguntou: O que faz a lua aparecer é ela mesma ou é o dia? Sem pensar muito, viu que a vida o respondia: É uma questão de proposta. Se o dia propõe a noite, a lua irradia, mas se o dia propõe o amanhecer, é o sol que brilha.
A partir de então as respostas dormiam toda noite. E as propostas? Acordavam no lugar ao raiar de cada dia.