terça-feira, 26 de agosto de 2014

Salto e carteado

O vestido balanceava de um lado a outro
e na mesa do sol poente, 
o rapaz ao ritmo do carteado.

A bela moça faz a cena, quebra a banca. Tem cheiro de vitrina. 
Coisa charmosa, dizia seu João, 
e ela toda se ria.

Sem abrandar-se prosseguia,
 em uma dança de vestido à guia.
E o rapaz, carta pequena, rabo de olho e teimosia truco.
Cantarolava se achando Nabuco.

Chapéu na perna, cintura chaveada, 
couro e sela na botina.
Sotaque roceiro e ginga,
de atrair pobre e coitada de menina.

Mas a moça escaldada no xadrez 
Fogo de rédea, água de cajibrina
o jeito de mulher moça,
Capitu, Hilda, Mônica e Celestina.

E ela sem pestanejar,
lança-lhe logo um sorriso manhoso
ela gira, fala e brinca,
faz um samba em torno do moço.

É de arrepiar a tal da menina moça, 
já diria seu João,
mas ele que é moço dos forte,
aqueles que se diz dos bão,
não sabe o que faz ou fala com a moça, 
não decide se vai ou não.

E a moça cansou da dança,
do vento e do carteado
Começou a sair sem graça, 
tirando do jogo todo o seu arado.

O moço num último salto
Levantou da mesa zapado.
Mas a moça deu de banda 
deu de salteado.

O moço voltou encucado
a moça foi embora encasquetada
Seu João, só olhando se ria.
de saudade, não é bobo nem nada.