segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Neblina

Hoje eu acordei com vontade de ir correndo atrás de você. Acordei sem saber quais palavras eu diria, mas com as mesmas lágrimas nos olhos eu talvez te abraçasse. Talvez apenas ficasse encostado no seu peito por um tempo até me acalmar de novo, mas eu não saberia o que dizer.

Pareceria loucura que eu fizesse isso depois de tanto tempo? Seria um absurdo que eu aparecesse na sua porta com flores? Que eu te dissesse que sempre vi uma vírgula no fim de sua carta? Que eu andei me escondendo em casa para evitar te encontrar em ruas que eu nem sabia se você passava?

Todos os meus amigos diriam que perdi a sanidade, que estou preso em uma idealização de você, que me nego a enxergar a realidade ou que devo enterrar este morto que é você em minha sala de jantar. Eu sinceramente não sei.

Todos os dias quando estou arrebatado por uma enorme alegria me vem você à cabeça. Não é que nos momentos tristes eu espere um ombro pra chorar. Eu espero é a sua companhia ao fim do dia, independentemente se foi o melhor que tive ou se foi no dia em que acordei me achando a pior pessoa do mundo.

Mas eu me lembrei que não sei o seu endereço. Me lembrei que não sei como chegar ao seu trabalho. Eu não sei sequer como chegar até você. Eu faria qualquer coisa por você hoje, se soubesse como. Mas acontece que é você quem sempre soube como me achar, como despertar tudo de mim. Eu nunca achei esta - aquela - chave. E sendo assim, mesmo sem querer, você acertou em cheio todas as vezes em que de uma forma ou de outra veio me lembrar que existia. Sempre surgiu quando eu estava prestes a deixar a minha ilusão de você. Porquê? Me pergunto. Nem é minha nem sua a resposta.

Hoje tem neblina. Quase não dormi. Choveu. Me escaldo em busca de um caminho pra seguir. Reverberam em mim as falas de um sábio. Um suspiro forte a mais. Minhas olhos escorrem você.