sexta-feira, 21 de novembro de 2014

As estações do ano não são tão bem delineadas quanto há alguns anos atrás. Olho para os cactus que plantei e que deveriam crescer no inverno e não cresceram, já é primavera. No retrato ou no espelho posso ver que as marcas de que os dias também não tem tido sua temporalidade definida tão bem. Estampo que a noite talvez tenha sido vivida em claro, e aos primeiros raios de sol, a pele enruga e infla em sonolência.

Os tempos são outros mas saio de casa com as mesmas roupas old school de adolescente que acabou de sair - se é que se sai um dia - das fraldas para ingressar na faculdade. A falta de definição do tempo impede ou serve de desculpa para que eu não vista uma camisa social ainda. Há uma mistura de carcaça que caiu do corpo e de pele antiga que grudou insistentemente onde em tempos outros deveria estar crescendo outra. Careço de uma definição que não me vem de imediato. Saio de blusa de frio em dia ensolarado. Me ensopo na chuva bem no dia em que resolvi deixar o guarda-chuva fora da mochila, pois para quê este peso se já não chove há tempos?

Os ideais de sociedade, de mundo e de pessoa construídos estão sendo tomados pelas lutas do dia a dia do mercado de trabalho. O sonho colorido que a Psicologia foi um dia se tornou uma realidade acinzentada com a qual tenho que me fazer caber em um universo capitalizado.

O tempo mudou, meu amigo. Porque você está tentando usar as mesmas roupas?