quarta-feira, 27 de maio de 2015

A menina

Quem é você que é tão grande quando está fora e tão pequena quando está dentro? Quem é você que se veste como dama, que caminha tão pulsante, mas que quando fala não se desvela. Quem és tu mulher, que cresce nos termos escritos, nos desenhos tão bonitos, que frutifica as discussões por detrás das telas, e que quando presente se encaramuja em dentro de uma capa que de tão humana sequer tem?

Quem és tu mulher oriunda da terra dos grandes, que faz da delicadeza um trunfo para vangloriar-se, e que faz da destreza uma peça de teatro sem platéia. És a mesma que esta que quando alguém vê tem de abaixar os olhos para sobreviver? 

Eu queria saber quem és tu, mas tu se faz tão sua, que até se perde neste ser-se. E quando fores mais tu mesma, talvez aí já estará a esquecer-se, e aí então fará de seu balé, de seus desenhos, de seu poema e filosofia não mais vis movimentos. Deixe seu braço de mar, baía, a vida é oceano.