Esperança deixou de ser verde no pé de cá... de cacto que se tornou. A vida se sustenta com o acúmulo de água de tempos atrás, e percebe que sobrevive com pouco, mas apenas sobre-vive. Se tornou supérfluo, superficial. Não consegue terminar uma frase sem dizer uma besteira, e não consegue começar uma frase sem se questionar se não seria melhor permanecer em silêncio.
Como cacto, acredita que ninguém quer ficar perto, nem ele mesmo quer que fiquem por perto, pois tem medo que os espinhos que crescem sobre si machuquem quem se aproxima. Mas seus espinhos são inofensivos. Criou uma defesa frágil disfarçada de fortaleza.
Sozinho, se pergunta se há lugar para si no mundo: olhou para fora e viu o deserto. Olhou para dentro, para dentro, para dentro. (s)eco.