Primavera de 1995. Seu pai ainda tinha muitos cabelos sobre a cabeça, já ele, quatro anos de idade, e a alegria de ver "papai" chegar do trabalho e colocá-lo na janela da copa de casa. A altura lhe dava um pouco de medo, mas aquele serzinho olhava por através dela e via um horizonte tão grande diante de si! Não sobrava muito espaço para uma palavra tão adulta como o risco.
"Papai, não me tire daqui!" E a amoreira balançava, as amoras roxas pintavam o chão. O céu mudava de cor com o pôr do sol, e ele não se preocupava em fazer distinção: verdade ou imaginação? Uma hora ou outra o pai o tirava de lá, mas no outro dia o pai chegava e o colocava de novo na janela, por sobre o chão. Até que acabou, o garoto cresceu, não tinha espaço na janela, nem força no pai para tirá-lo do chão.
O tempo muda, a verdade não.
O tempo muda, a verdade não.
1995, a janela foi sua primeira paixão.