sábado, 15 de fevereiro de 2014

A felicidade e um lembrete

Fazia um tempo que não pensava em você, pelo menos não desta maneira. Estava eu cercado de uma felicidade nostálgica e presentificada na realização de um sonho. Foi uma batalha, e eu olhava para aquelas pessoas queridas ao meu lado e na plateia, para os mestres com os quais tanto aprendi, para meus pais.

Eu cresci neste tempo, me tornei mais culto, apurei o gosto musical, afinei com as palavras e as leituras; Conheci da vida um pedaço, da boemia à ciência. Eu aprendi a me aproximar da diferença, e não apenas aceitá-la, entendi que ter alguém que escuta não é uma carência apenas daqueles que me procurarão, é um tanto quanto minha. Eu aprendi a dar valor à minha origem, e a respeitar o destino das coisas, fossem ou não condizentes com meus desejos. Eu chorei um bocado, e outro bocado sorri.

Mas é que, ali, ao olhar para isso tudo, eu pensei em você. Eu pensei no trajeto todo, nas dificuldades desde antes de entrar na universidade, do tempo em que era difícil fazer amizades e de quão pequenas eram as perspectivas de realização. Eu pensei nos tempos de faculdade em que construí as tão desejadas amizades e me realizei de diversas formas na graduação e na vida. E eu pensei em você, que viu tão pouco disso tudo acontecer, mas que dividiu um pedaço pequeno, do qual eu vinha me esquecendo.

Eu aprendi a levar a vida à sério brincando, entendi que pouco entendo e que isso não é um desvalor. Eu que decidi ver o rosto da miséria humana, sou o mesmo que queria te ver ali. Lentamente me vinha a ideia de que fosse com teu sorriso ou com as lágrimas raras, com a pequenez que eu dificilmente encontraria em meio aos demais, que teria o abraço de baixo para cima e  os parabéns mais simples e desconcertantes com o brilho no olhar. Você não estava ali.

Não, mas eu não me iludi. Não estou ou fui menos feliz. Estou e estive em um dos momentos mais emocionantes de minha vida. Mas é que eu, que pensava ter lhe esquecido, que pensava não sentir mais sua falta, lembrei, senti.

Meu peito aperta, sabe? Eu fantasio com você me dizendo “fica calmo”, naquele momento de ansiedade da entrada. Com o abraço no final, “eu não falei?”. Com o sorriso naquele momento – qualquer – em que me viraria para trás e te pegaria olhando para mim e sorriríamos, como uma afirmação de algo que não poderíamos alcançar com palavras. E satisfeito com o olhar, voltaria minha atenção novamente para as demais coisas, certo de que depois haveria mais e mais.


Sonhei que neste dia eu estaria radiante ao seu lado, que iríamos juntos dançar, brindar, beber, cantar. E hoje farei tudo isso. Eu estarei radiante, vou cantar e dançar e vou beber, mas não sem antes brindar. Você não vai comigo, mas saiba, hoje eu vou te levar.