quinta-feira, 20 de março de 2014

Passo há diante

Bastaram alguns dias sozinho para perceber a vastidão do que se há para explorar do lado de dentro. É que passamos boa parte do tempo nos dedicando ao que há lá fora. Demandas às quais devo atender estão aí quase a toda hora, e demandas às quais me coloco em função de responder, por gosto, vontade, desejo, anseio, ou seja lá o que for.

Ficar sozinho resgata de um modo ou de outro este mundo que atualmente é tão pouco explorado. E não é um "conhece a ti mesmo" vago, é um precioso habitar o mundo partindo de dentro. Sozinhos ficamos mais próximos de nós. Descobrimos características que passavam despercebidas. Certos medos vem à tona com clareza, aqueles que passavam despercebidos. Desejos reprimidos se tornam latejantes. Atividades que davam gosto e que haviam se desbotado ganham reforço na coloração. 

Ficar sozinho tem feito um bem danado. Eu nem sabia mais meu peso. Não pensava sobre o que comia, sobre o que gostaria de comer, realmente. Não pensava sobre o que gostaria de fazer, não tinha planos, apenas ia fazendo. 

É bom parar e assistir 3 filmes do seu gosto durante o dia. É bom iniciar um artigo que vem sendo adiado a tempos e pensar que é um passo para um caminho que pode ser não trilhado, mas é o passo que se quer dar. É bom pensar sobre escolher um caminho, embora dependa também do que os caminhos escolherão. E então, ao ficar comigo, sozinho, parado, dou um passo, não á frente, mas ao que há diante.