quinta-feira, 20 de março de 2014

(M)ar adentro.

Que cansaço me dá toda essa profundidade às vezes. Me sinto um otário. Idiota perdido nas profundezas de um oceano que poucos habitam. Há beleza na superfície também, pô! Sei lá, passar a noite assistindo a novelas, jogando carteado, assistindo futebol, falando de mulheres, homens, famosos. Ouvir um sertanejo sabe? Pagode. Beber cerveja a tarde/noite toda. Falar palavrões, contar histórias de idiotices feitas no passado. Rir.

É, talvez nas profundezas falte o riso. Não sempre, é claro. Mas é que é tudo tão coração, tão amor, tão boniteza amarradinha, que parece que não dá pra dar a escapulida que a graça do riso tem. Parece que é tudo tão ligado à verdade que tem que ser sério, correto. Que saco!

Não quero cair no risco do "vamos lá, alienemo-nos então." Não. Eu quero, ou melhor, pretendo, que as coisas possam ser tranquilas, sem deixar de serem levadas a sério. O problema dos extremos é que eles não deixam lugar para as contradições. A gente acredita que uma senhora noveleira é rasa e que um professor acadêmico é profundo. A gente acha que o moço da favela que ouve funk nada tem de sabedoria e que o estudado em política, filosofia e ética é um poço de saber.

Eu quero poder sair da aula em que debato bases filosóficas e me encontrar com amigos para falar putaria. Eu quero ir para a serra partilhar da profunda beleza da vida e voltar para a multidão em meio ao carnaval. Quero ler o melhor da literatura e fechar a noite com novela e futebol.

Encontro pessoas maravilhosas em lugares chamados inóspitos, e perco o gosto das coisas tantas vezes dentro do lugar em que mais se fala sobre o próprio gosto das coisas. Que a vida não me deixe perder o raso, pois sem ele, não alcançaria nada de profundo, e não teria onde voltar para ufa!Sorrir-spirar.