O mais engraçado de tudo, pensava, é que não ter mais fé na vida não fazia com que a vida deixasse de ter fé em si.
O desgaste todo que gera uma sequência de desilusões fez com que não se lançasse tão abruptamente à possibilidade que cintilava. O receio era o que lhe restava e, como um sinal de trânsito desregulado, assinalava quase sempre com o pare, ou no máximo com atenção. A luz de siga ousava querer se ascender, mas logo apagava.
Quem conhecesse sua história lhe daria alguma razão. A questão é que a vida não é feita de razão, mas de razões. E estas, muitas vezes desconhecemos.
Após juntar suas forças, o que se passava era que conseguia sustentar com algum vigor a luz verde com a qual seguia. Mas os sinais recebidos, que lhe pareciam ser da mesma espécie, se apagaram e começaram a apontar pare. Parou. Mas claro, não sem resgatar o desânimo de todas as histórias precedentes que vinham a desaguar em um presente como que em repetição.
Mas quase no apagar das luzes, a vida lhe deu uma nova razão. De onde menos esperava, com as maiores coincidências e correspondências possíveis... No mesmo, no exato mesmo dia em que as luzes queriam se apagar novamente.
