De longe assistia àquela cena constrangedora e bela.
Ajoelhado e com as mãos justapostas apontadas para o céu, o rapaz interrogava agoniado:
"Deus, porque há tanto passado em meu futuro?
Quantas linhas em branco, quantos tantos outros rascunhos eu vou precisar esboçar para que se faça uma nova história?
É possível e justo entregar-se assim partido, quebrado?
Vou conseguir voltar um dia a ser inteiro? (...)"
Ao observar, ao longe percebia que ao questionar entregando todo o seu ser àquele gesto, o rapaz era tomado por uma calmaria, até se calar.
Em silêncio, manteve-se apoiado sobre os joelhos, soltou as mãos aos poucos e abaixou a cabeça. Postou-se por alguns minutos em silêncio antes de se levantar e partir sereno.
Não era preciso estar próximo do rapaz para perceber que ele não esperava por respostas, mas por companhia.
Ventava.