terça-feira, 27 de maio de 2014

Cura ou Socorro? - HE(A)Lp

É, seria possível que dessa história alguém escrevesse um livro, mas recuo e fico apenas diante dos fatos que pude ver - feliz por ver, infeliz por assim ser.

Esta não é uma reflexão sociológica, mas cabe dizer que a perversão se alimenta da alienação, do mesmo modo que os sujeitos alienados se nutrem das "benfeitorias" do perverso. Uma combinação que a olhos nus estrutura uma sociedade saudável, mas que nas entrelinhas e visto longitudinalmente deixam buracos profundos sobre as pessoas, sobre sua ética e moral, e sobre toda uma comunidade.

A manipulação é um dos requisitos básicos para se reconhecer uma estrutura perversa. Pode parecer psicologismo, mas são fatos reais. O perverso em questão, nutre ainda uma estrutura paranóide. Crê que toda aquela pessoa que apresenta um posicionamento diferente, distinto do seu e, portanto, criativo, lhe é ameaçador. Aí é que se encaixam os alienados. Estes, por motivos que não me cabem, estão à espera de alguém que ditem o que deve ser feito, como deve ser feito, quando, onde. Seguem padrões e normas de forma irrefletida e ficam costumeiramente com uma sensação de "há algo de errado", coisa com a qual não se implicam. Desta forma, sustentam a cadeia do perverso, que com sua inteligência e lábia aguçadas, apreende a estrutura alienada e, sutilmente manipula as situações de modo que estes permaneçam assim: cegos ou com a visão turva. Lhes oferece uma série de benefícios e bônus de modo que a angústia que por vezes os visita seja também tamponada. O perverso então consegue o que quer: manipular a fim de se manter em um falso controle, e os alienados se mantém fiéis a um sistema que lhes causam mal, mas que com pequenos ganhos são impelidos a mantê-los e a manter-se em silêncio.

Pois bem, poderia eu estar falando prolixamente, com um saber psicológico, e uma visão social de gente politizada e elitista. A questão é que sou mero estudante de psicologia, e não me considero o cidadão mais politizado, menos ainda elitista. O fato aqui parte de uma realidade em que o perverso coordena um grupo de alienados que estão a cuidar de psicóticos. Sim, são estas as pessoas que estão cuidando daqueles que chamamos de "adoecidos" e mais comumente "loucos". 

Fico a me questionar então sobre quem está doente. Sobre esta máscara que cobre uma sociedade, uma instituição, um pequeno grupo, que, não estigmatizado, cuida daqueles que são julgados e jogados socialmente. Me parece mais saudável invertermos esta cadeia, que em seu topo é elitista e imoral.

Segue a vida meus caros, segue a vida. Isto está acontecendo. Não é papo de estrutura mental, ou ideologia por uma mudança total e radical da sociedade. É papo de saúde mental daqueles que cuidam de quem precisa ser cuidado. O resto da história é fácil imaginar o estrago, difícil mesmo é ser paciente, em todos os sentidos que esta palavra pode ter.

E eu me pergunto, e pergunto a você: O que é possível fazer?