Ela veio me lembrar de que, enquanto morto, era preciso que o enterrasse. Não era tão óbvio como podia-se prever, como eu mesmo previa. Por todo canto que passava, o mal cheiro, a putrefação.
A morte não é tema encerrado. A morte é lembrança clara que certamente não adia o futuro, mas o condena por quanto tempo (?) ao passado.
Não é fácil falar sobre morte, é claro. Tema que por si só devia estar encerrado, e está. Mas ela veio me avisar que eu deveria atestar. Fazer todo o processo, me certificar de que o enterro iria se dar.
Mas depois de morto, enterrado, resta a vida daquele que, de alguma forma, se foi junto, mas que não teve seu corpo e alma velados. Assegura-se que a partir daí deve-se seguir em frente. Mas qual é a linha que divide o fim do novo começo? O que há depois da morte, minha senhora?
Ela não saberia dizer. E ele seguiu em frente, sem saber que mais adiante, em sua fronte, diante, não se adiante... não se adiante.
É certo que se foi, mas sussurros lembram que de algum modo está.