domingo, 28 de setembro de 2014

En-fim, infinito.

Certa vez fui à terapia e guardo a lembrança de ouvir algo como "Eduardo, você quer resolver a sua vida, mas você acha que a vida é possível de ser resolvida? E se você resolver, o que fará depois?" 

É, ela tinha razão. Eu vivia esperando - e talvez ainda viva alguns de meus dias assim - o dia em que eu conseguiria resolver as coisas: conseguir dar o primeiro passo, andar de bicicleta sem rodinhas, dar o primeiro beijo, passar no vestibular, me formar, conseguir um emprego, dentre tantas outras, sem falar das conquistas do dia-a-dia. O fato é que todas elas, na mente, pareciam sempre a resolução. "No dia em que eu... então serei feliz". Mas na realidade, o "serei feliz" nunca soou como uma resolução. Ele só abriu outros caminhos. A felicidade daqueles momentos tem seu lugar nos picos da alma, mas ela nunca foi derradeira, isto é, eu nunca me resolvi.

Sim, parece derrotista dizer que sou mal resolvido, mas é mais real. Um dia como este é daqueles para lembrar de que nada se resolve de imediato. A formatura, um momento único na vida é também a porta que abriu um caminho imenso e extremamente complexo e difícil. Se tornar adulto é mais do que conseguir um emprego, responder por seus atos, e pagar contas. Ser adulto, eu imaginava, era poder fazer escolhas, mas ser adulto é mais do que isso, é arcar com todas as consequências. Pode parecer horrível passar um bom tempo da sua vida arrecadando fichas para apostá-las e então perdê-las todas e ter de reconstruir, mas quer saber a boa: assim a gente aprende. É mais real.

Amanhã é segunda-feira e depois de perder as fichas todas que estavam apostadas, resta repensar as estratégias. É um duro golpe, mas se observar com calma a relação que a derrota tem a ver com a frase que ouvi da minha terapeuta, não é não. Não é irreal pensar que nada seria resolvido se tivesse dado certo. Não estaria. A diferença é que nem todo caminho abre portas, alguns vão fechar mesmo. E é possível inclusive ficar feliz assim. Mas devo esperar um pouco, ainda estou triste. Perder não leva a ser feliz tão instantaneamente quanto ganhar, mas aponta uma direção ainda que não muito clara. E quando triste, me alegro ao pensar que a alegria está por vir, e então alegre já me lembro de que logo estarei triste de novo. Nada disso eu resolvo.