sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Goteiras no mar

Amantes da tristeza, sonha-dores. Peritos da beleza que cabe em uma dor e da potência que é deixar abrir uma ferida na alma, a lucidez. Embaraços e desembaraços de um choro bem chorado e de um riso grito. Seres de ânsias, de devaneios, de susceptibilidades. Angústia-impulso de lançar-se às profundezas do amor, da fé, do gozo, da paz, do ser.

Estão na força dos dedos suaves ao tocar almas tais como o pianista ao piano. Plantam flores no ar e criam casas sobre o céu. Não dão forma ao amor, o reconhecem. Não tem fim em si mesmos nem em ninguém, o finito e o infinito são realidades tão concretas quanto seus corpos; A morte é um choro de recém-nascido; a vida, a dor do parto. O silêncio, uma guerra fria e a ação, ranger de dentes. 

Olhem para suas janelas. Hoje fez chover. Quem fez? Pergunta que invade e transcende as almas abertas ao mundo. Fecham os olhos e sentem na pele o vento da serra e ouvem o barulho do mar. Seu lugar é onde há espera, qualquer. E esperam.

Nuvens de pureza no ardor, de fragilidade na coragem, de felicidade na dor, pinguem gota a gota, despejem-se almas chuva, saibam-se mar.