quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

A direção sob um solo sagrado

Eu era um sonhador, uma espécie de profeta e acho que fui envenenado por um plano.
Para onde o vento assopra, sigo agora. Estou vagueando pelos meus pensamentos, e eles me mantém longe. Eu era um sonhador, uma espécie de profeta, e acho que você me envenenou.

Peço que traga de volta minha saúde. É um assombro estes buracos na minha cabeça, e que por eles entrem qualquer divagação. Eu acho que estou fazendo curvas enquanto durmo. E se o vento me leva por onde sopra, qual é a cura então para este sono?

Eu queria fazer as coisas leves, queria então me tornar memorável. Eu te disse que continuaria voltando, e nem sei mais o que estas palavras significam. Dou voltas no quarteirão e me encontro preso no subsolo da cidade. 

Algo se perde e isto não me faz orgulhoso. As minhas palavras são ditas, mas nunca ouvidas, e quando digo que vou continuar voltando, algo se dissolve, eu não sei o caminho de volta. Espero por minhas palavras, elas ainda são ditas a espera de se tornar finalmente verdades.  

Mas eu era um sonhador, uma espécie de profeta. Eu troquei meus livros por uma promessa, um veneno doce em pele rosada. Tornei-me estúpido, por isso não me siga agora, pois não sou capaz de sequer cantar uma canção. Não se deixe secar como meus olhos, mas não desista de mim.

Eu era um sonhador e hoje faço o meu melhor para parecer feliz. Estou crescendo vazio, mas eu não desisti, embora pouco consciente, e extremamente sensível. Todas as manhãs eu limpo meus olhos e me sinto enjoado. Fora do tempo. Estou cansado de perder minha paciência.

Agora qualquer palavra dita por mim revela uma realidade confusa. Eu espero ser gentil, mas a minha inconstância se tornou um hábito. Talvez se você for gentil, minhas noites possam se tornar mais tranquilas agora.

Mas tenha paciência comigo, eu ainda sou um sonhador. Acho que fui envenenado para sempre, mas nunca desista de mim.