sábado, 8 de novembro de 2014

Nirvana [Valtari]

São clarões vindos de estreitas frestas, abertas de modo sutil e misterioso. Quando se abre a comporta do peito, o que se vê são estas pequenas folhas lisas e esta voz serena a se sobrepor aos pensamentos. E estes, finalmente, cessam. É iluminado o sorriso derradeiro e todas estas amalgamas humanas, estas correntes, bolas de metal que acorrentam dos pés à alma caem. Luz nova, sempre nova, em cor, e que entoa cantigas silenciosas, desvela traços, aponta a fonte.

A destreza é mero detalhe. Esperteza é palavra que não cabe no tempo das virtudes. O corpo-carne é fio estreito entre o que é e que está para além do ser. A brisa, esta síntese fluida que liga a matéria ao transcendente, abre o mundo ao cheiro-som-tato. O universo visceralmente sentido. Justaposição perfeita de toda imperfeição.

Sobressalentes emergem como essências, e as dores purificam. A especialidade do ser é o que brota do mais tenro olvidado. Nada pode perecer em cataclismos fundamentais. Perene é a autoridade pura do encontro entre o que é e o dado. Força sem precedentes mesmo em profunda introspecção.

Nada cala isto. O que deseja é sempre o que é, mas o que é, escapa ao desejo sempre. E tudo que é coincide, é breve e intui-se em um abrir de olhos, ainda que fechados estejam. A propulsão não é mental, não mente, evidencia. Vê? São clarões vindos de estreitas frestas abertas. É sutil e misterioso.

Aqui não há o que temer ou do que duvidar.