Sou de capricórnio e de algum modo ou de outro a rigidez está em mim. Confesso que apesar de tentar sustentar leveza e abertura em calmaria pulsa em mim um calor que clama por definições. Eu não quero que as coisas venham em caixas com endereço certo, com prazos de validade, mas a gente começa a pedir um pouco de referência quando as apostas não vingam. Eu espero um pouco de segurança embora seja atraído pelas situações menos confiáveis e certas. E só encontrei uma vez.
É um grande paradoxo que me faz retornar sempre àquele mesmo passado. Se me perguntarem se superei aquela história hoje, eu direi que sim e não. É que naquele tempo encontrei a única pessoa que me possibilitou estar inteiro. Não vinham em caixas as respostas, e a insegurança que isso tinha era envolvida por uma camada segura. Bem, qualquer pessoa vai dizer que eu estava iludido, e parte de mim já aderiu a esta teoria. Eu me lancei em algo incerto pois me parecia certo viver aquelas incertezas. Ali me cabia. Eu necessitava de palavras que definissem, mas elas não vinham. Ao mesmo tempo o que eu vivia me dava respostas esclarecedoras de que era daquilo que eu precisava, e eu ficava com o que tinha sem deixar de pedir por mais.
Sim e não, porque eu estou sempre me lembrando. A história parece se atualizar enquanto eu vou tendo os meus encontros e desencontros por aí. É estranho, mas como naquela época tudo de mim havia ficado em voga. Cada parte, quando emerge, traz um pouco de lá de novo. Eu bem sei que já passei da terceira nova tentativa, e percebo que nenhuma delas é ou foi em vão. O choque está em me dar conta de que esta parte da minha história criou raízes mais firmes do que tantas outras. Eu já temi muito por isso. Acreditei que o que foi plantado em mim tomaria o lugar de outras coisas, como já tomou, e talvez ainda tome, não vou subestimar. O fato é que abri espaço para outras coisas serem plantadas. Se já quis que morresse, hoje ao menos aceito a convivência. São lembranças que eu deixo guardadas em uma gaveta do armário, Não é um ritual para que seja bonito, ou para que a história perdure. Há muito tempo não vou lá e há outras coisas tantas misturadas. Tem outras histórias lá também. Contudo o que me vem na maioria das vezes é a parte que lhe cabe, a parte onde eu sempre coube.
É difícil pois de um modo ou de outro eu sempre vou querer alguma experiência como aquela de novo. Não tem jeito, aceitar é a melhor que posso fazer. Minha lua em touro, explica parte do fato de eu seguir em busca de beleza. Apesar de conscientes de sua efemeridade, para os taurinos ela merece ser contemplada. Eu sigo então, e embora doa às vezes, contemplo a beleza do nosso encontro que em algum lugar do tempo ficou, eu bem me lembro.