Me sinto em casa, e embora cansado, disposto. Não sei de que modo você me conforta, mas é de modo tal que apesar de parecer errado, tudo isso faz um bem, e eu só preciso ficar aqui em seu sofá mais um pouco. Eu sei que devia, e esbarro na razão me dizendo, o fato é, porém, que não sinto vontade de ir embora. Uma tranquilidade me mantém no seu ombro e eu finalmente posso descansar meus pensamentos. Você diz não saber o motivo, mas confia em mim, e quando insiste em não querer, é pego por um suspiro forte, e dos seus pulmões saem uma resposta então, e a gente se entende sem dizer.
Eu me arrepio todo quando saio ao vento e sinto que estou embarcando em um carinho com data e lugar marcados, com duração duvidosa, o isto me faz tremer a espinha. Pego minha gaita e começo a tocar em descompasso. É estranho, tudo inesperado, mas me sinto novamente em paz. Eu me pergunto como pode algo tão certo poder não ser caminho. A resposta me vem como um sussurro, e nunca a ouço clara, de modo tal que não deixo de ir ao seu chamado. Eu vejo um limite claro, mas nem a gaita eu sei tocar. Se a música eu não puder fazer, se eu não souber fazer, e não sei, eu não quero me preocupar. Talvez eu aprenda, ou apenas volte a dançar.