Um mestre a quem
recorrer e uma vontade solícita que o fazia acreditar que era possível haver
certos diálogos com o além. Além de si mesmo nunca encorajou mais ninguém.
Fazia chapéus de palha
para vender e levava aos comércios da cidade. A grande questão era que sua
cabeça estivesse sempre protegida. Não havia algo por aqui que pudesse lhe dar
os contornos que não encontrava nos seus diários movimentos ou que o salvassem
de seus vícios.
Era grave sua voz e era agudo o seu olhar.
Encontrar-se com o infinito era a sua mais conhecida obsessão. Não era segredo.
Chamavam-no de louco, e esta era uma denominação que lhe encarecia. Um
lisonjeio em meio à falácia.
Seu sombreiro, chamado
de “a bela espaçonave”, era realmente a parte de si com a qual se protegia e
decolava. Ninguém nunca pôde pegar seus pensamentos, eles sempre estiveram
acima de tudo, e não por mérito de si ou demérito de alguém, mas porque seu
sonho e seu desejo eram compilados para tornar o mundo uma realidade pequena
enquanto era tudo para os demais. Ele fazia do céu o seu chão enquanto para os
outros era o teto ou o último cais.
Viveu a vida ao lado de
Deus para então após a morte, encontrar o Satanás. Mas a despeito de toda a
angústia e as risadas que gerou, foi feliz em vida e morreu em paz.