sábado, 31 de janeiro de 2015

Além

Um mestre a quem recorrer e uma vontade solícita que o fazia acreditar que era possível haver certos diálogos com o além. Além de si mesmo nunca encorajou mais ninguém.

Fazia chapéus de palha para vender e levava aos comércios da cidade. A grande questão era que sua cabeça estivesse sempre protegida. Não havia algo por aqui que pudesse lhe dar os contornos que não encontrava nos seus diários movimentos ou que o salvassem de seus vícios.

Era grave sua voz e era agudo o seu olhar. Encontrar-se com o infinito era a sua mais conhecida obsessão. Não era segredo. Chamavam-no de louco, e esta era uma denominação que lhe encarecia. Um lisonjeio em meio à falácia.

Seu sombreiro, chamado de “a bela espaçonave”, era realmente a parte de si com a qual se protegia e decolava. Ninguém nunca pôde pegar seus pensamentos, eles sempre estiveram acima de tudo, e não por mérito de si ou demérito de alguém, mas porque seu sonho e seu desejo eram compilados para tornar o mundo uma realidade pequena enquanto era tudo para os demais. Ele fazia do céu o seu chão enquanto para os outros era o teto ou o último cais.


Viveu a vida ao lado de Deus para então após a morte, encontrar o Satanás. Mas a despeito de toda a angústia e as risadas que gerou, foi feliz em vida e morreu em paz.