E houve sim uma segunda
chance, e então a terceira, a quarta. Sentia-se feito tivesse atracado em braço
de mar após conhecer a sua imensidão, bem longe de qualquer terra ou
continente. A pele dourada pelo sol, o desejo de sombra, as nuvens brancas e o
peito carregado trovejando. A sua imagem para si.
Seu céu não é feito de
sonho como a paixão flamejante do prenúncio de outrora. Não é feito de rabiscos
bonitos, de leituras intrigantes sobre os astros, não é feito de razão química
e inclusão social. É feito de dor.
Os erros partem sempre
de escolhas e as escolhas são perspectiva, nada se decide sem um afeto, sem um
percurso, sem um adiante. E adiantar-se é erro já. E errou bem mais do que
acertou. A cinza massa escura que sobrevoava seus dias era já a sua derrota que
em meio a uma chuva intensa entenderia.
E massacrar-se podia,
não devia. Dever é obrigação demais e ter de entregar o tudo pronto e bem feito
era o seu malogro. Queria deitar-se na ternura e encontrava um abismo. A
história da maçã fez então o sentido que nunca entendera. Fez-se compreender
também as tramas que envolvem o amor. O ardor em meio à serenidade e o nada
estar em mãos. A entrega é mesmo um horizonte aberto que deslancha ou se desfaz
em meio a algo do qual estamos inaptos a determinar.
E se fez real, como
talvez não tanto outrora, e encontrou-se a si mesmo no braço de mar. Não tinha
mais a posse de nada, restou apenas o si mesmo, mas consigo pôde se deitar.