É apenas um hábito, um velho hábito de escapar, de fugir por entre os dedos ou pelas encostas e se dissipar no ar. Quando se enche um balão, não se sabe se nele há ou não alguma imperfeição. Por vezes na tentativa e erro descobrimos um pequeno furo que antes de encher não se via, mas que quando ao tentar enchê-lo persiste um constante esvaziar. O péssimo hábito do ar de desabitar o balão. Mas quem pega o balão, um deles entre tandos outros, não se ocupa da origem de seu defeito, e na natureza põe seu descarte. Os poetas dizem "que beleza esses balões que não enchem mais, que não são como os demais". Eles apenas devolvem o que não podem segurar. Eles parecem prever mais rápido que, em algum momento, todos os outros vão estourar. A verdade é que estão machucados. Os velhos balões vermelhos, os que estão furados, eles não podem mais voar, perdem na sua previsão o gosto e a graça que é ver o mundo, ainda que por um instante, de lá.
