O que acontece entre a ilusão e o sonho, a desilusão e a esperança, o que foi e o que está por vir? Ah, mas hei de saber o tanto que é difícil ficar neste "entre", e quão fácil é se apegar ao conforto que este desconfortável lugar nos dá.
A gente acaba se acostumando com o sofrimento, e então, todo sorriso que nos abraça passa a ser motivo de duvidar: "Eu deveria estar sorrindo? Estou sofrendo." Mas oras, não estou sofrendo mais, o que dói, ora pois, é a dor de acreditar que da dor só vai vir mais, e nada além.
A gente se apega à glória desse meio do caminho, desse "passou e agora o que vai ser?" e fica remoendo o sofrimento como uma forma de validação de tudo o que se foi e, ao vangloriar-se da nobreza do passado, aquilo que é a espera, o que era e é tão aguardado passa a ter um preço caro, digno da grandeza - não a real, a construída, inventada - do que aconteceu e do que sou.
A gente cria uma teia de culpa. Nada mais serve se não for grande como o sofrimento que sinto, por aquele acontecimento. Então, nada me satisfaz se também não for grande. Quem sou eu para dizer que algo de grande não está para acontecer? Mas é que o apego ao "entre" nos apega à grandiosidade como algo pronto, que vem completo, como uma felicidade garantida e impecável, sem pecados mesmo, sem erros. E se é sem erros o que vem para mim, eu também tenho de ser, para merecê-lo. Receita pronta, bolo de culpa. Temos mesmo que sofrer demais pelos fracassos passados para sermos merecedores de algo belo no futuro? Temos mesmo de nos entregar às lamúrias do sofrimento neste espaço do "entre" o insucesso e o sucesso? Será que não podemos sair por aí descobrindo outras coisas ou mesmo nos engajando em projetos tantos que permeiam nossas vidas? Será que o sofrimento nos dá um bilhete para a realização plena? Será que o entre não é o espaço de tempo, já, da realização?
O entre é o espaço de tempo, já, da realização. É preciso esforço para tirar seu coração quebrado e colocá-lo para dançar. Requer coragem admitir que pode-se ser sim um pilantra que mente e que entra em enrascadas, e que erra e, por fim, entender que isso não inviabiliza o fato de que espera mesmo é por algo que realmente dê certo. Requer força admitir que sente dor mesmo, pois está com inveja da felicidade alheia, aquela que deveria ser sua, e requer ainda mais força reconhecer que apesar de tudo isto empurrar a porta para fechar-te ao mundo, você pode ainda assim decidir abri-la e dizer: "entre".
A gente acaba se acostumando com o sofrimento, e então, todo sorriso que nos abraça passa a ser motivo de duvidar: "Eu deveria estar sorrindo? Estou sofrendo." Mas oras, não estou sofrendo mais, o que dói, ora pois, é a dor de acreditar que da dor só vai vir mais, e nada além.
A gente se apega à glória desse meio do caminho, desse "passou e agora o que vai ser?" e fica remoendo o sofrimento como uma forma de validação de tudo o que se foi e, ao vangloriar-se da nobreza do passado, aquilo que é a espera, o que era e é tão aguardado passa a ter um preço caro, digno da grandeza - não a real, a construída, inventada - do que aconteceu e do que sou.
A gente cria uma teia de culpa. Nada mais serve se não for grande como o sofrimento que sinto, por aquele acontecimento. Então, nada me satisfaz se também não for grande. Quem sou eu para dizer que algo de grande não está para acontecer? Mas é que o apego ao "entre" nos apega à grandiosidade como algo pronto, que vem completo, como uma felicidade garantida e impecável, sem pecados mesmo, sem erros. E se é sem erros o que vem para mim, eu também tenho de ser, para merecê-lo. Receita pronta, bolo de culpa. Temos mesmo que sofrer demais pelos fracassos passados para sermos merecedores de algo belo no futuro? Temos mesmo de nos entregar às lamúrias do sofrimento neste espaço do "entre" o insucesso e o sucesso? Será que não podemos sair por aí descobrindo outras coisas ou mesmo nos engajando em projetos tantos que permeiam nossas vidas? Será que o sofrimento nos dá um bilhete para a realização plena? Será que o entre não é o espaço de tempo, já, da realização?
O entre é o espaço de tempo, já, da realização. É preciso esforço para tirar seu coração quebrado e colocá-lo para dançar. Requer coragem admitir que pode-se ser sim um pilantra que mente e que entra em enrascadas, e que erra e, por fim, entender que isso não inviabiliza o fato de que espera mesmo é por algo que realmente dê certo. Requer força admitir que sente dor mesmo, pois está com inveja da felicidade alheia, aquela que deveria ser sua, e requer ainda mais força reconhecer que apesar de tudo isto empurrar a porta para fechar-te ao mundo, você pode ainda assim decidir abri-la e dizer: "entre".