sábado, 16 de agosto de 2014

Dia-a-Diana

Abriu a porta e deparou-se mais um dia com o vaso de tulipas sobre a mesa, do qual usava cuidar. Dia-a-dia, na constância diária de labuta e diversão, o encontro com a velha memória apetalada de dor a espinho. Tirou os sapatos, sentou-se sobre a mesa de centro. Cruzou as pernas e pôs-se a olhar aquele não tão velho pedaço de sua vida.

Fosse feita ela de entrega, de ardor, ou de consolo, não haveria nada que faria as coisas serem diferentes. Era um sinal. Tentara de tudo, tanto é que continuava a regar aquele passado, todos os dias ao entrar em seu consultório, e em um gesto repetido - por vezes impensado -  regava as flores.

Em outros dias, se lembrava. Quisesse ou não, e ainda que o humor a colocasse em certos tons, a história com a qual se deparava a fazia chorar.

Não há final, não há memória que se cale. Não há água que regue a flor e a faça desabrochar em uma história que já foi. Também não há silêncio que cale o barulho da saudade.